“O destino das nações depende daquilo e de como as pessoas se alimentam” (Brillat-Savarin, 1825).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Galactosemia

        A galactosemia é uma doença metabólica hereditária caracterizada pela ausência da enzima galactose 1-fosfato uridil transferase, que participa da epimerização da galactose em glicose. Essa doença, quando não diagnosticada precocemente, leva ao desenvolvimento físico e metal retardados, além de alterações nos tratos digetivo e renal e catarata.

Epimerização da Galactose em Glicose

       A galactose é um monossacarídeo de epímero da glicose, isto é, são moléculas que se diferenciam somente na configuração de um átomo de carbono; no caso, o carbono 4. A transformação de galactose em glicose consiste em uma série de reações que consitutuem uma epimerização, que é representada pela figura acima e ocorre segundo as seguintes etapas:

  1. A galactose é transformada em galactose 1-fosfato, pela reação catalisada pela enzima galactoquinase, à custa de ATP.
  2. A galactose 1-fosfato ligada a UDP-glicosevai à glucose 1-fosfato ligada a um UDP-galactose, catalisada pela galactose 1-fosfato uridil transferase. 
  3. A UDP-glicose é transformada em UDP-galactose por meio da UDP galactose epimerase.
  4. Finalmente, a Glicose 1-fosfato é trasformada em Glicose 6-fosfato, pela enzima fosfoglicomutase.
      Um indivíduo com Galactosemia tem deficiência na produção da enzima que catalisa a segunda etapa descrita, a galactose 1-fosfato uridil transferase; sendo assim, impossibilitado de transformar galactose em glicose.

Manifestações Clínicas da Galactosemia

        A Galactosemia, geralmente, se inicia no feto ainda no útero, já que pela décima semana de gestação é que ocorre o desenvolvimento das vias metabólicas da galactose. Já o desenvolvimento da doença, ocorre a partir da ingestão de leite, assim que a criança nasce, de maneira fulminante e aguda quando associada a sepse neonatal (infecção generalizada). A doença pode, no entanto, se desenvolver de maneira sub-aguda, causando diarréia, vômitos, icterícia, hepatomegalia, ascite, galactosúria, etc.
       Mesmo quanto há um diagnóstico precoce e o indivíduo que sofre da doença siga uma dieta restrita  em galactose, há ainda a produção endógena deste monossacarídeo, que não pode ser metabolizado. Assim, há a possibilidade de outras manifestações clínicas como alterações no sistema nervoso (como diminuição de QI, dispraxia verbal, temores), atraso no crescimento, osteoporose, catarata e disfunção ovárica.

Diagnóstico e Tratamento

      O diagnóstico da doença pode ser feito ainda no período neonatal, pela dosagem de galactose 1-fosfato uridil tranferase nos glóbulos vermelhos. Um diagnóstico precoce permite o tratamento da doença a partir da remoção da galactose (cuja principal fonte é a lactose) da dieta. Já a produção endógena deste monossacarídeo, não pode ser evitada. No entanto, o indivíduo adulto constuma apresentar uma crescente tolerância a galactose, já que há uma diminuição da produção endógena dela. 
O controle da evolução da doença deve ocorrer periodicamente, por meio de exames neurológicos, psicomotores e a monitoração da dosagem de galacto 1-fosfato uridil tranferase.



Fontes Bibliográficas: 
Bioquímica Básica, Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres; 
Ciências Nutricionais, J.E Dutra de Oliveira e J. Sérgio Marchini; 
Diagnóstico da Galactosemia Clássica, Ana Silva e Inês Lopes Cardoso;



Marina Morais

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