“O destino das nações depende daquilo e de como as pessoas se alimentam” (Brillat-Savarin, 1825).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Fenilcetoúria (PKU) : Consequências e Tratamento


Como já foi discutido em um post anterior, a Fenilcetonúria é um erro metabólico que consiste na incapacidade de o organismo converter o aminoácido Fenilalanina (Phe) em Tirosina devido a uma deficiência da enzima responsável por essa reação (Fenilalanina hidroxilase), levando a graves conseqüências como o retardo mental, hipopigmentação e distúrbios comportamentais.  Vamos entender melhor como ocorre essa reação no metabolismo fenilcetonúrico

       Metabolismo da Fenilalanina

A tirosina é o produto imediato normal da Fenilalanina e é essencial para outras vias incluindo a síntese de proteínas, catecolaminas, pigmento de melanina e hormônios da tireóide.
Na fenilcetonúria, essa reação não ocorre e entra em ação uma via secundária do metabolismo.  Nessa via a fenilalanina sofre transaminação com o piruvato e libera fenilpiruvato. A maior parte do fenipiruvato é reduzida e formando fenilactato e descarboxilada e forma fenilacetato. O fenilacetato confere um odor “de rato” característico à urina e também já é um aspecto que ajuda para detectar a PKU em crianças.


Consequências da PKU

RETARDO MENTAL
àA manifestação clínica mais grave na fenilcetonuria é o retardo mental. Isso ocorre porque a alta concentração de fenilalanina no plasma sanguíneo gera um grande acúmulo no SNC, e esse excesso vai provocar uma competição da fenilalanina com outros aminoácidos pelo transporte através da barreira hematoencefálica. E já que a fenilalanina possui maior afinidade pelo transportador cerebral se comparada com outros aminoácidos, isso vai resultar em déficit de alguns metabólicos muito necessários ao cérebro em desenvolvimento e ocasionar a formação de metabólitos tóxicos no cérebro. Além de retardo mental, o acúmulo desses metabólitos tem outras conseqüências ao SNC, com falhas ao andar e falar, hiperatividade, microcefalia.

àOutro fator que contribui para o retardo mental é o fato de a alta concentração de Phe inibir completamente as enzimas triptofano hidroxilase (que catalisa a formação do neurotransmissor serotonina) e tirosina hidroxilase (que catalisa a formação dos neurotransmissores: dopamina, epinefrina e norepinefrina), essa queda na produção desses neurotransmissores também contribui para um estado de retardo mental e até mesmo de distúrbios comportamentais.

HIPOPIGMENTAÇÃO
à Fenilcetonuricos apresentam deficiência na pigmentação dos cabelos e da pele pois além da baixa concentração de tirosina, ainda o excesso de Phe inibe completamente a hidroxilação da tirosina pela tirosinase, que é a primeira etapa da formação do pigmento melanina.

ODOR NA PELE, CABELOS E URINA
à O acúmulo de Phe e sua utilização em vias alternativas leva a produção de metabólitos, como o fenilacetato que confere um cheiro forte, como um odor de rato aos fenilcetonúricos.

Diagnóstico


O diagnóstico clínico da PKU é difícil, pois a criança é aparentemente normal durante os primeiros meses. Apenas por volta do terceiro mês de vida percebe-se o atraso no desenvolvimento pois, a criança perde o interesse em tudo que a rodeia e tornam-se inquietas e irritadas. Por isso é importante realizar o exame em todos os recém nascidos. O exame para diagnosticar a PKU é feito na triagem neonatal, o famoso teste do pezinho normalmente realizado nas primeiras 24 horas de vida até no máximo sete dias após o nascimento. O diagnostico de PKU consiste em determinação da concentração plasmática de PHE e de tirosina  (uma concentração superior a 4 mg/dL pode indicar a PKU) e deve ser confirmado após 48 horas de vida, tempo suficiente para que o recém nascido tenha mamado.

Tratamento

Diagnosticada a PKU a criança deve imediatamente ser submetida a uma dieta controlada, pois o acumulo de fenilalanina e seus metabolitos impedem o desenvolvimento do cérebro provocando retardo mental irreversível.
O tratamento até o momento é realizado exclusivamente por meio de uma alimentação restrita em fenilalanina, a dieta precisa suprir as quantidades de fenilalanina exatamente o suficiente para satisfazer as necessidades de síntese protéica do organismo. A quantidade de Phe que pode ser ingerida depende dos níveis de Phe no plasma e da atividade enzimática, que varia de individuo pra individuo.
O consumo de alimentos ricos em proteínas deve ser diminuído e controlado e as proteínas naturais devem primeiro ser hidrolisadas e a maior parte da fenilalanina removida.
 Já são encontradas essas formulas de hidrolisados proteicos no mercado e geralmente destinados a três grupos: formulações infantis; formulações especiais para adultos e suplementos nutricionais. O tratamento deve ser mantido por toda a vida, porque mesmo após o desenvolvimento neurológico completo do individuo, os níveis altos de fenilalanina podem alterar funções cognitivas.


Walkyria Paula


Fontes:
  
LEHNINGER, Albert L; NELSON, David L.; COX, Michael M. Lehninger princípios de bioquímica. 4. ed. São Paulo: Sarvier, 2006.

      MIRA Nádia VM e Ursula M Lanfer Marquez: Importância do diagnóstico e tratamento da fenilcetonúria. Rev. Saúde Pública. V 34(1), 2000.







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